quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Alhures



O gélido astro noturno timidamente ocultado entre nebuloso acortinado de nuvens

emana acinzentada luz opaca que atravessando a vidraça

desenha grades e árvores contra a parede


A sinistra noite envolve os seres em seu amniótico manto escuro

enquanto a amarelenta luz mecânica despenca do poste plagiando claridez diurna,

iluminando a ruela por onde perambula trôpego o homem sem amanhã


Confortavelmente congelado em larga poltrona encouraçada

meu ser ignora a estaticidade das sombras

vagando alhures


A noite permanece imóvel como uma falha no tempo








Esta foi uma poesia que saiu em um catálogo de um evento chamado SESC Amazônia das artes.

(Na página de 03/08/2010)



quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A cidade de Sophia




O conhecimento é como uma cidade
onde cada rua leva o nome de um pensador indicando um caminho que se pode seguir.
Estas estão organizadas em ordem lógica
de modo que ao se seguir um pensador desembocar-se-á em outro
podendo-se caminhar por entre todo o conhecimento humano.
Porém, como toda cidade existem os limites
e é ai que devemos construir
nossa própria rua

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Transeunte





Percorro o sonho terrestre invisível como o vento noturno
que chacoalha a relva e lhe cava túneis
sibilando rasteiro nas trevas da noite banhadas no prata da lua
Cavalgando instantes nos galopes do tempo
enquanto invento a vida

Percorro o sonho terrestre apreciando os seres,
transitando sonhos alheios,
e divagando dúvidas, pois a certeza pertence às pedras.

Movo-me mudo, azul, como uma nuvem contra o céu noturno
ou mergulho a tormenta dos oceanos profundos dos corações distantes
Existo como brisa calma e fogo selvagem

Percorro o sonho terrestre paciente como um escultor,
buscando formas enquanto entalho idéias.
Percorro o real terrestre vivendo o mais profundo dos sonhos
através destes dias reais







quinta-feira, 15 de julho de 2010

Traje da aragem de aurora





A mãe das marés lança noturna seu beijo neon sobre as águas

permanecidas extensamente perdidas à vencer o horizonte

Sentado sobre a distância dos ventos contemplo o deserto líquido sem ousar sequer gota

e esse meu fixo olhar esférico que atravessa os tempos

abarca as noites e os dias que se teceram no espaço


Trajo a aragem da aurora, a oculta túnica dos ares celestes

e da densa estrela que despenca do alto dançando suas chamas no céu escuro

dou luz à meu corcel azul flamejante


Assim, crepitante, cavalgo rasantes ventosos

desenhando rastros tremeluzentes sobre a superfície das águas

sem ousar ondas ou o despertar do furioso dragão-marinho que jaz adormecido

sábado, 26 de junho de 2010

Sonho verde



É a brisa que aviva excitando os galhos e as folhas
das árvores que farfalham voluptuosos gemidos
e propaga o crocitar selvagem das vidas rasteiras
que se escondem no labirinto verde

Ou é a água que percorre tortuosos caminhos
banhando raízes e alcança as aldeias dos povos pintados,
das nações enfeitadas que vestem à floresta
e dançam a alucinante lua fantasma vacinados de sapo

É a vida que transa com a terra e lhe deposita raízes
e brota ereta, fálica, precisa no rumo amarelo do sol
dando guarida ao colorido dos pássaros
ou sombra àqueles seres que perambulam silentes sobre o solo marrom

Ou é a sinfonia dos ventos que passeiam entre os troncos
e dançam redemoinhos de folhas secas e amarelas e ocres
espalhando o aroma úmido das exóticas flores silvestres
que graciosamente concorrem o espaço

É o sonho verde ultimo do homem humano que desastra a terra
tornando concreto sua existência
Trocando a caricia das matas pelo conforto acinzentado
das engenhosas torres que rasgam o céu

terça-feira, 22 de junho de 2010

Exposição "Retratos poéticos" SESC/PVH




Gostaria de convidar
A todos que por ventura navegarem no blog
para exposição de retratos e poesias:

"Retratos Poéticos"

onde busco um diálogo poético com o mundo imagético
das cativantes
fotografias de Michele Saraiva




SESC/CENTRO de PVH Entre 07 à 30/06/2010











Sites que divulgaram:

http://transparenciarondonia.com.br/2010/06/07/exposicao-fotografia-e-poesia-nesta-terca-feira-08-no-sesc-centro/

http://www.rondoniaovivo.com/news.php?news=63916

http://www.cnro.com.br/noticia.php?id=31267

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Aroma ausente
















(Foto: Michele Saraiva)

Ausência de rosas deserta meu ser
Qu’em aridez se desola
ao vibrar do silêncio sinfônico
e circunda-me a lacuna infecunda
do carente vazio eleitor do meu nada
que divaga a dança incerta das folhas ao vento

A poeira esvoaçante dos sonhos estéreis,
lembrança da ultima morte do si,
tempestuosamente desfragmentam meu corpo
e me confunde o ermo deserto

O ser ainda assim insiste a presença
e na chuva gélida das dores funestas tornadas lágrimas,
qu’inda embaçam a colérica visão,
encontra acento aos fragmentos do eu,
que habitavam insólitos a incerteza dos ventos secos,
esculpindo formato de nova existência

...e ‘alma que desliza a superfície do dilúvio
encontra ilha que cultiva um acanhado desejo de eu
a rasgar a atmosfera exalando tímido odor que possa desfazer teu
aroma ausente