Mostrando postagens com marcador Elijah Baal. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Elijah Baal. Mostrar todas as postagens

domingo, 19 de setembro de 2010

Corações de diamante


De um gosto pesado e profundo

obstruindo gargantas

como pedras sobre cartas

De palavras encarceradas no medo,

pulsando nos poros,

vermelhas como as faces da cólera


De peitos encarecidos pelas adquiridas

formas brilhantes de pedra

Corações de diamante

cristalizados pelas idosas lágrimas

e de olhares opacos, presos ao chão pelo peso dos anos


Amarelas lembranças, pálidas feito dias sem fogo,

propagam sabores irradiados no vento

amargos como palavras de mágoa,

secretos como cultos pagãos,

latentes feito desejos proibidos


E na surdez, no silêncio escondido dos corações lapidados,

há um revolto mundo rochoso, mudo, não dito,

buscando formas camufladas e simbióticas

se expressando como quimeras



quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Alhures



O gélido astro noturno timidamente ocultado entre nebuloso acortinado de nuvens

emana acinzentada luz opaca que atravessando a vidraça

desenha grades e árvores contra a parede


A sinistra noite envolve os seres em seu amniótico manto escuro

enquanto a amarelenta luz mecânica despenca do poste plagiando claridez diurna,

iluminando a ruela por onde perambula trôpego o homem sem amanhã


Confortavelmente congelado em larga poltrona encouraçada

meu ser ignora a estaticidade das sombras

vagando alhures


A noite permanece imóvel como uma falha no tempo








Esta foi uma poesia que saiu em um catálogo de um evento chamado SESC Amazônia das artes.

(Na página de 03/08/2010)



quinta-feira, 19 de agosto de 2010

A cidade de Sophia




O conhecimento é como uma cidade
onde cada rua leva o nome de um pensador indicando um caminho que se pode seguir.
Estas estão organizadas em ordem lógica
de modo que ao se seguir um pensador desembocar-se-á em outro
podendo-se caminhar por entre todo o conhecimento humano.
Porém, como toda cidade existem os limites
e é ai que devemos construir
nossa própria rua

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Transeunte





Percorro o sonho terrestre invisível como o vento noturno
que chacoalha a relva e lhe cava túneis
sibilando rasteiro nas trevas da noite banhadas no prata da lua
Cavalgando instantes nos galopes do tempo
enquanto invento a vida

Percorro o sonho terrestre apreciando os seres,
transitando sonhos alheios,
e divagando dúvidas, pois a certeza pertence às pedras.

Movo-me mudo, azul, como uma nuvem contra o céu noturno
ou mergulho a tormenta dos oceanos profundos dos corações distantes
Existo como brisa calma e fogo selvagem

Percorro o sonho terrestre paciente como um escultor,
buscando formas enquanto entalho idéias.
Percorro o real terrestre vivendo o mais profundo dos sonhos
através destes dias reais







quinta-feira, 15 de julho de 2010

Traje da aragem de aurora





A mãe das marés lança noturna seu beijo neon sobre as águas

permanecidas extensamente perdidas à vencer o horizonte

Sentado sobre a distância dos ventos contemplo o deserto líquido sem ousar sequer gota

e esse meu fixo olhar esférico que atravessa os tempos

abarca as noites e os dias que se teceram no espaço


Trajo a aragem da aurora, a oculta túnica dos ares celestes

e da densa estrela que despenca do alto dançando suas chamas no céu escuro

dou luz à meu corcel azul flamejante


Assim, crepitante, cavalgo rasantes ventosos

desenhando rastros tremeluzentes sobre a superfície das águas

sem ousar ondas ou o despertar do furioso dragão-marinho que jaz adormecido