terça-feira, 22 de junho de 2010

Exposição "Retratos poéticos" SESC/PVH




Gostaria de convidar
A todos que por ventura navegarem no blog
para exposição de retratos e poesias:

"Retratos Poéticos"

onde busco um diálogo poético com o mundo imagético
das cativantes
fotografias de Michele Saraiva




SESC/CENTRO de PVH Entre 07 à 30/06/2010











Sites que divulgaram:

http://transparenciarondonia.com.br/2010/06/07/exposicao-fotografia-e-poesia-nesta-terca-feira-08-no-sesc-centro/

http://www.rondoniaovivo.com/news.php?news=63916

http://www.cnro.com.br/noticia.php?id=31267

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Aroma ausente
















(Foto: Michele Saraiva)

Ausência de rosas deserta meu ser
Qu’em aridez se desola
ao vibrar do silêncio sinfônico
e circunda-me a lacuna infecunda
do carente vazio eleitor do meu nada
que divaga a dança incerta das folhas ao vento

A poeira esvoaçante dos sonhos estéreis,
lembrança da ultima morte do si,
tempestuosamente desfragmentam meu corpo
e me confunde o ermo deserto

O ser ainda assim insiste a presença
e na chuva gélida das dores funestas tornadas lágrimas,
qu’inda embaçam a colérica visão,
encontra acento aos fragmentos do eu,
que habitavam insólitos a incerteza dos ventos secos,
esculpindo formato de nova existência

...e ‘alma que desliza a superfície do dilúvio
encontra ilha que cultiva um acanhado desejo de eu
a rasgar a atmosfera exalando tímido odor que possa desfazer teu
aroma ausente

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Inverno nu

(Nietzsche por Edvard Munch)



Por entre a chuva espessa que transmuta a calma noite em dilúvio,
jorrando à cântaros de um céu negro salpicado em relâmpagos
aos bramidos retumbantes das trovoadas insanas que propagam a ira dos deuses
acovardando mortais sob seus cobertores mofados,
correrei afrontando os raios gritantes, intentando surfá-los

Ou no inverno selvagem quando criaturas tiritantes
de ossos congelados esconderem-se sob seus grossos tecidos
gemendo lerdos à beira de largas lareiras crepitantes
rasgarei minhas vestes e atearei fogo

e correrei nu por sobre a brancura da neve que ao despencar dos céus
encortina a atmosfera atapetando o solo da gélida noite tenebrosa
cantado insano o hino dos que agonizam os velhos tempos:
Rasga tuas vestes elas já não te servem mais

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Tez poética



Encanta-me a forma com que teus expressivos olhos úmidos
como chuva fina que convida o aconchego
levam-me a perceber o ardor dos teus lábios vermelhos
que surgem de tu’alva face de musa como o desabrochar de uma rosa
apresentando-me sempre sorriso intenso

E tua tenra pele me recorda aroma botânico
de pureza libertina
Visto-te compridos brincos de tiras de prata
que reluzem o fulgor destes teus planetas em forma de olhos
por vezes ocultos entre os anéis das tuas melenas cortinais ao sabor do vento

Absorve-me em sensual devaneio
em teu deslizar sobre a terra como quem ensaia voejar
e a carícia dos ventos diurnos sobre o tecido florido
do vestido que te proíbe o corpo
me transmuta desejos

O tecido floral que te esculpe contra a brisa lusco-fusco
lembram-me a leveza visual d’estatua grega ou romana
que agraciou-se de vida e intentou desfile entre seres humanos
Tua tez ao vestir ensolarados sorrisos de várias graças
confundem-me ainda teu meigo ser com sublime poesia

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Sonho infanto
















(Foto: Michele Saraiva)


Meu real é sonho infanto
onde cavalgo corcel mecânico de aço enferrujado
a quem empresto asas

Em excursões fantásticas
através de dimensões somente minhas
Recuso estar duas vezes no mesmo lugar

Meu sonho é real infanto
onde passeio espaços
que não servem à real gravidade

Sou mago de magia imaginária
e o ingênuo mistério dos meus feitiços consiste apenas
em ainda não ter aprendido que só existe um mundo




quinta-feira, 6 de maio de 2010

Do assassínio dos pudores


Foi grito horrível e desfigurado
o que se fez ouvir
quando o assassinato sanguinolento dos pudores se deu
pela força de uma nova vontade
que surgia pura

Foi também grito satânico e escárnio poético
o que ecoou pelos ares profanos
da hipócrita cidadela e que em outras palavras
não pronunciavam nada além do que:
Vive La liberté, vive le corps!

O alarido das tropas inumanas, que camuflavam a existência
transfigurando-a em matéria incolor
foi urro de terror para aqueles que temiam existirem de fato,
mas foi também trombeta de anunciação
e música heróica para aqueles que ousaram cantar...

O defunto pudico esfacelado sobre as pedras da viela noturna
compunha agora um solo escarlate,
em um vilarejo antes sem cor e sem vida, perdido na excessiva rotina
composta por aqueles que se ocultavam por detrás de um mantra negro
jamais compreendido, nem mesmo pelo mais sabio dos humanos, a que chamavam: Verdade!

O hediondo grito
que reverberou pelas ruelas da sólida vila
foi para ouvidos mais sensatos um viva poémico de um novo saber
que aquém de pretender enfadonhas buscas ilusórias por verdades apenas anunciava:
Eu me proclamo a favor do corpo!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Do tempo abstrato ou sobre os relógios


















(Persistência da memória - Salvador Dali)







Ho! Não enquadrem meus momentos em números
Não me digam quanto tempo me falta,
minha vida não é uma contagem regressiva pra morte.
Eu não irei me pré-ocupar com o inevitável.

Se posso fazer escolhas farei a de não me temporizar,
prefiro me momentizar, assim: Viver o momento!
Prefiro não ter tempo nenhum assim não poderei temer perdê-lo,
viverei um tempo alternativo.

Almejo uma física sem espaço nem tempo,
sem relógios ou fitas métricas,
e não peçam razão, pois não pretendo justificar minhas escolhas.
Não possuo metafísica, não pretendo as causas ultimas para explicar certo ou errado...

Agora estou além da física, mas em lugar algum,
além do tempo abstrato, sem tempo algum.
A maior sabedoria sobre o tempo não está nos números ou em sua sistematização,
a sabedoria ultima consiste em apenas viver, sem tempos nem espaços delimitados por abstrações numéricas.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Retrato poético




Eu escrevo retratos.
Pintados em letras de cores abstratas
mescladas com matizes de verbos
às vezes intensas, às vezes calmas.
Escrevo retratos.

Escrevo também quadros.
Pincelando palavras e mais palavras e frases e mais frases
até que eu veja uma imagem de poema,
uma paisagem de poesia...
...é assim que eu escrevo retratos.

Escrevo escutando as pinceladas do teclado
enquanto as idéias pintam,
enquanto pitam as emoções .
É que minha arte é abstrata
eu escrevo retratos.

(Foto: Michele Saraiva)

Molduras paragráfais
dependuradas em estruturas de capítulos,
camadas e camadas de linhas sobrepondo temas,
frases e frases definindo imagem em
textos figurativos.
Retratos poéticos.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Necessárias contradições





Hoje sou a contradição de mim mesmo
meu instante é reflexivo!
A vida parece um único momento perdido em mim
Sou sem ser...
...concretamente abstrato...

Preciso me escrever antes que me perca
só posso encontrar-me em verbo...
Verbo em seu uso limite não se tange
É sem ser...
...
(Foto: Michele Saraiva)
Poesia não se tange
Quem a ousa compreender perde o poetismo
Entendam os Filosofos!
...apenas sinto...
...assim posso ser sem ser
Assim posso ser em contradição.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Para dias colaterais






Escrevo um poema para os dias tristes
Para os dias azul-escuros de mim
Escrevo um poema para os dias des[sentidos
Para os dias desbotados
Escrevo um poema para o céu fechado


(Foto: Michele Saraiva)

Para os dias de noite
e para as noites sem dia
Para dias colaterais
Escrevo pois minha lágrima é palavra e meu sentimento é verbo,
por não gostar de lágrimas de verdade
Elas não têm desculpa

Escrevo um poema para o Eu-triste
(pergunto-me: Por que ele existe?
Escrevo um poema-porquê
Um poema Eu-triste

Escrevo um poema porque minha crise é poética
Fosse existencial apenas choraria
Poetas não gostam das coisas em si
Elas não são poéticas

Escrevo um poema para os dias colaterais
e só escrevo porque como poeta não posso deixar eles serem assim
Devo poetizá-los!
Caso contrário não serão poesias (serão apenas dias tristes

Poetas não gostam de dias tristes
Eles não têm desculpa
São colaterais da vida
Poetas gostam é de poesia (e para isso os dias tristes são ótimos